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Mostrando postagens com o rótulo cinema

Cidadão Kane e as derrotas de Orson Welles

Ano sim e outro também aparecem por aí as velhas listas com os melhores filmes da história. São raras aquelas em que “Cidadão Kane” não aparece ao menos no top 3. Para muita gente que entende do ramo, nada mais justo, em especial por seus aspectos técnicos revolucionários e sua narrativa inovadora. Há um ponto, no entanto, que é pouco abordado e o engrandece ainda mais: sua contextualização política em um período delicadíssimo para a história dos Estados Unidos e de todo o planeta.  “Kane” foi planejado e produzido em meio aos anos que marcaram a ascensão de diversos regimes totalitários ao redor do mundo. Em 1941, ano de sua estreia, a França estava ocupada pela Alemanha nazista, a Europa se encontrava em polvorosa e os Estados Unidos, ainda se recuperando da crise econômica da década anterior, viviam o início de sua predominância política em nível mundial.  Se por um lado o governo Roosevelt se destacou por uma série de políticas progressistas, os anos de transição entre as ...

O Orgulho da Nação

Quem viu “Bastardos Inglórios” certamente lembra que seu ápice ocorre em um cinema em Paris, onde toda a alta cúpula nazista está reunida para assistir a um filme. Talvez não seja novidade para os mais bem informados, mas somente ontem eu soube que os Extras do DVD trazem a íntegra de “O Orgulho da Nação”, curta-metragem de exaltação ao nazismo feito por Tarantino para que algumas cenas fossem incorporadas a seu penúltimo longa-metragem. São apenas seis minutos. Quem é fã de Tarantino vai se divertir:

Tarantino na área

Eis que pinta o trailer do novo filme de Quentin Tarantino: “Django Unchained”. O roteiro é feito pelo próprio diretor, que recrutou uma turma da pesada: Christoph Waltz, Jamie Foxx, Leonardo DiCaprio e Samuel L. Jackson. O trailer dá toda a pinta de que virá mais uma nova bomba tarantinesca, no bom sentido do termo. Nos EUA, a estreia acontecerá no Natal. Por aqui ainda não há uma previsão exata. Aguardemos! O trailer segue abaixo:

Os três primeiros filmes de Chaplin

É chover no molhado falar da genialidade de Charles Chaplin, mas pouca gente já teve a oportunidade de assistir a seus primeiros filmes. Em geral, a maior parte das pessoas pôde vê-lo em ação em clássicos como “Tempos Modernos”, “O Grande Ditador” ou “O Garoto”, no auge de sua popularidade e já com todas as condições necessárias (técnicas e financeiras) para elaborar obras sensacionais. A curiosidade de assistir aos primeiros filmes surgiu durante a leitura de “Chaplin – Uma Biografia Definitiva”, de David Robinson. O livro acaba servindo como uma espécie de guia, que permite acompanhar, em ordem cronológica, a evolução do nome que até hoje ainda é o mais importante da história do cinema mundial. Neste post, achei por bem reunir apenas os três primeiros curtas-metragens de sua carreira, todos realizados em 1914 e obviamente mudos, produzidos pela Keystone, nos quais Chaplin ainda se limitava a atuar – embora, segundo Robinson, já desse importantes pitacos que em certas ocasiões ...

O grito Wilhelm

A recém-lançada revista “ Samuel ” traz uma matéria publicada originalmente no site francês RUE89, sobre um uivo bizarro, usado por sonoplastas e produtores de filmes e desenhos desde os anos 50. Segundo o texto original, mais de 200 obras já usaram em algum momento esse material, que se tornou conhecido como “grito Wilhelm”. Eu ri muito ao ver e ouvir a uma compilação que foi feita no YouTube de vários registros do tal grito. Sim, ele é familiar, especialmente porque já foi usado em filmes e desenhos muito populares. Seu uso primeiramente se deu em um filme de 1951, chamado “Tambores distantes”, mas foi em outro, de 1953, chamado “Investida de bárbaros”, que um certo personagem Wilhelm soltou a goela ao ser atingido por uma flechada (veja abaixo). Segundo o texto reproduzido por “Samuel”, o arquivo da gravação do tal grito foi guardado sob a discrição “homem é morto por um jacaré e grita”. Nos anos 70, o tal arquivo foi redescoberto e usado em “Star Wars”. Desde então, não parou mais....

Tarantino escolhe os melhores filmes de 2011

Em 2010, Quentin Tarantino escolheu (com boa dose de razão, segundo a modesta opinião deste blogueiro) "Toy Story 3" como o melhor filme do ano. Eis que surge a lista com seus melhores e piores de 2011. Confira abaixo (via " The Quentin Tarantino Archives "): Melhores de 2011: 1. Meia-Noite em Paris 2. Planeta dos Macacos: A Origem 3. O Homem que Mudou o Jogo 4. A Pele Que Habito 5. X-Men: Primeira Classe 6. Jovens Adultos 7. Ataque ao Prédio 8. Red State 9. Guerreiro 10. The Artist / Maluco Beleza (empatados) 11. Os Três Mosqueteiros Piores de 2011: Sucker Punch: Mundo Surreal Esposa Troféu Miral Sobrenatural Rampart Sob o Domínio do Mal Atividade Paranormal 3 Meek’s Cutoff Valeu a tentativa: Drive Hanna Fúria Sobre Rodas Gigantes de Aço Melhor Diretor: Pedro Almodovar Bennett Miller Woody Allen Jason Reitman Michel Hazanavicius Melhor Roteiro Original: Meia-Noite em Paris Jovens Adultos Red State Ataque ao Prédio Maluco Beleza Toda Forma de Amor Melhor Roteiro Ad...

A Rede Social 2

E se fosse no Brasil, hein?

Paulo José: teatro, cinema, classe média e Parkinson

Paulo José, mais lúcido do que nunca aos 74 anos, deu uma bela entrevista à “Folha” neste domingo. Algumas frases me chamaram bastante a atenção e por isso as reproduzo aqui. Sobre o teatro brasileiro, após elogiar os textos de Gorki, Brecht, Boal e Guarnieri: “… os dramaturgos ainda tratam demais da sua realidade de classe média, estão voltados para o próprio umbigo. […] A temática da classe média é muito chata, o teatro foi invadido por ela. Não consigo fazer uma peça que agrade muito ao público”. Sobre o mal de Parkinson: “O irritante é ser tratado como criança pelas enfermeiras do hospital. ‘Chegou a sopinha, vovô vai tomar a sopinha dele agora!’ Porra, caralho, que sopinha o quê! […]Algumas pessoas dizem: ‘Estimas de melhoras, viu?’ Que melhoras, porra, eu tenho uma doença degenerativa!” Sobre cinema em geral: “As pessoas estão viciadas em uma certa linguagem de cinema americano. O [consultor] Syd Field é o mestre do roteiro, do ‘como fazer um filme igual a muitos outros que você ...

Um elogio (apenas um!) a "Quebrando o tabu"

Meu círculo de amizades “progressista” foi unânime: entre aqueles que assistiram a “Quebrando o tabu”, todos acharam o documentário uma droga – com o perdão do trocadilho previsível. Em termos técnicos, quase não tenho o que dizer, por entender pouco do assunto: é ruim mesmo. Mas, no frigir dos ovos, o trabalho final, que tem Fernando Henrique Cardoso como protagonista, é, sim, válido para tornar o debate sobre maconha & Cia. mais amplo. Em geral, as críticas que ouvi são a respeito da superficialidade do filme e, claro, ataques a FHC (e a Bill Clinton também, outro participante do documentário), por sua falta de políticas inovadoras no combate ao tráfico de drogas, na proposição de uma nova legislação sobre o tema e no trato aos usuários. Aqui é preciso separar as coisas: o governo tucano deixou a desejar nessa área; o debate promovido pelo ex-presidente, aos 80 anos, merece elogios – e também algumas ressalvas. O que é elogiável, no entanto, não atinge o nicho que já pensa de for...

Kane e as derrotas de Orson Welles

Ano sim e outro também aparecem por aí as velhas listas com os melhores filmes da história. São raras aquelas em que “Cidadão Kane” não aparece ao menos no top 3. Para muita gente que entende do ramo, nada mais justo, em especial por seus aspectos técnicos revolucionários e sua narrativa inovadora. Há um ponto, no entanto, que é pouco abordado e o engrandece ainda mais: sua contextualização política em um período delicadíssimo para a história dos Estados Unidos e de todo o planeta. “Kane” foi planejado e produzido em meio aos anos que marcaram a ascensão de diversos regimes totalitários ao redor do mundo. Em 1941, ano de sua estréia, a França estava ocupada pela Alemanha nazista, a Europa se encontrava em polvorosa e os Estados Unidos, ainda se recuperando da crise econômica da década anterior, viviam o início de sua predominância política em nível mundial. Se por um lado o governo Roosevelt se destacou por uma série de políticas progressistas, os anos de transição entre as décadas de ...

Trabalho extraordinário sobre um lixo interno

Os caras que costumam ter bons palpites sobre os vencedores do Oscar cantaram a bola: era impossível algum filme tirar a estatueta de melhor documentário de “Trabalho interno” neste ano, mesmo diante do apelo de “Lixo extraordinário” e de outras produções simpáticas. Tão bacana quanto a premiação, no entanto, foi o discurso vitorioso do diretor Charles Ferguson durante a cerimônia em Los Angeles: “Perdoem-me, mas eu preciso começar dizendo que três anos após a horrível crise financeira causada por uma grande fraude, nenhum executivo ainda foi para a cadeia”. A maior parte do filme é dedicada a duas ideias básicas: (1) os Estados Unidos são governados por Wall Street e (2) a crise de 2009 poderia ter sido evitada caso a farra financeira iniciada nos anos 80 tivesse algum nível de regulamentação. Tudo perfeito, com uma única ressalva: somente nos minutos finais o diretor faz uma análise sobre o que são os Estados Unidos hoje, pós-crise e depois de três décadas desastrosas. É gritante a d...

O cinema de Bananal

Eis que após 26 anos de clausura, a cidade de Bananal, no interiorzão de SP, tem de novo um cinema à disposição de sua população. Passei a vida inteira ouvindo minha mãe e algumas tias apontando, em tom saudoso, que bem ali, no coração da rua principal do centrinho de Bananal, ficava o cinema. Neste feriado pude ver o espaço reformado e pronto para receber, com dignidade, a pequena população da cidade, ávida por cultura. O cinema foi reaberto no final de semana passado. A estrutura é simples: um grande auditório, com mais ou menos 200 cadeiras. No alto e ao fundo, um projetor. À frente, uma grande parede branca e um palco, o que permite aproveitar o espaço para apresentações teatrais também. Nenhum segredo, nenhuma inovação. Apenas um pouco de iniciativa da Prefeitura. No sábado, no horário nobre das 21h, não houve sessão, mas sim um espetáculo de dança chamado "Senha", que vem rodando o interior de São Paulo, às custas do governo estadual. No domingo, um filme infantil à tar...

Ainda o filme do Lulão

Segue abaixo belo artigo do chapa André Cintra, publicado no Vermelho. Globo anuncia fracasso de Lula, o Filho do Brasil . Qual fracasso? Em apenas três dias de exibição, o longa-metragem Lula, o Filho do Brasil , de Fábio Barreto, foi visto nos cinemas por nada menos que 193.364 espectadores, segundo o boletim Filme B . O fato: é uma das maiores estreias de produções nacionais nos últimos cinco anos. A versão de O Globo : o filme que conta a vida do presidente Luiz Inácio Lula da Silva já é um fracasso consumado. Nesta terça-feira (5), o jornal da família Marinho se despreocupou com a checagem dos dados e deu como certa uma projeção da distribuidora Downtown Filmes. Assim noticiou que Lula, o Filho do Brasil “estreou vendendo cerca de 220 mil ingressos”. É verdade que, no caso, a estatística correta seria mais conveniente ao discurso alarmista e malandro. O que o jornal não quis informar é que, com tal ou qual público, Lula foi o segundo filme mais visto no Brasil nos primei...

Os compatriotas de Woody Allen

Estava em algum site por aí hoje: O diretor americano Woody Allen considera que a maioria de seus compatriotas são gordos e sexualmente complexados. "Tudo ali é expressão do medo e da repressão sexual: a loucura religiosa, o fanatismo pelas armas, a extrema-direita louca. Eles têm uma visão da sexualidade marcada por duvidosas leis morais", afirma Allen, em entrevista antecipada hoje pelo jornal "Die Zeit". O diretor de "Vicky Cristina Barcelona" considera que o sexo é utilizado nos Estados Unidos "como uma arma dramática, assim como a violência" e que as muitas cenas de sexo nos filmes produzidos em seu país são "simplesmente entediantes".

Tarantino vem aí

"Cães de Aluguel", "Pulp Fiction", "Jackie Brown", "Kill Bill 1" e "Kill Bill 2". Cinco puta filmes, daquele que considero o cara mais relevante do cinema a partir dos anos 90. Eis que Quentin Tarantino finalizou seu sexto longa, com previsão de estréia no Brasil somente em outubro. "Bastardos inglórios" é seu nome. Brad Pitt é seu protagonista. O nazismo é seu tema. O UOL colocou hoje no ar o trailer do novo filme, com legendas em português. Clique aqui pra ver!

U2 em três dimensões

Fica em cartaz em poucas salas no Brasil até 9 de outubro o registro em 3D no mais recente show do U2, "Vertigo", cuja passagem pelo Brasil se deu no começo de 2006. Só tenho lembranças bacanas da apresentação no Morumbi e essa sensação ficou reforçada ao assistir ao filme. Com o tradicional óculos para filmes em terceira dimensão, não é nada difícil se sentir realmente como um dos milhares que acompanharam in loco o show, sem deixar de sentir até mesmo um pouco da vertigem proposta no título da turnê. Quando a câmera põe o zoom bem pertinho do vocalista Bono, a metade feminina do cinema suspirou profundamente, tamanha a proximidade e o nível de realismo propiciado pelas imagens. Alguns vêm chamando esse registro como o primeiro "filme-concerto" da história do cinema. Uma rápida pesquisa me mostra que foram utilizadas mais de 700 horas de gravação para a edição final, condensada em menos de 90 minutos de canções que vão das baladas românticas a uma pauleira mode...

Van Damme

As primeiras lembranças que tenho de idas a cinema remetem ao fim dos anos 80, na companhia de meu pai. Os cenários eram sempre próximos: as velhas salas do Centrão de SP. Era nessas calçadas que eu, invariavelmente, saía pulando e dando voadoras após assistir aos filmes. Filmes de Jean Claude Van Damme. A gente cresce e felizmente os gostos evoluem. Mas, admito, sempre que a Globo reprisa pela 1085ª vez "O Grande Dragão Branco", eu dou um jeito de ver algum pedaço, especialmente das grandes atuações do vilão Chong Li, interpretado por Bolo Young. Mas por que relembro isso? O que tem a ver com o "Já reparou?". O texto abaixo, publicado no Blog de Cinema do Uol, responde a questão: Retroceder nunca, render-se jamais O Terminator virou Governator. Sly ressuscitou Rocky e Rambotox. Mas... e o Van Damme? Ícone do cine-porrada dos 80/90, o grande dragão branco tomou na cabeça. Longe do apogeu de “Kickboxer” (1989), “Garantia de Morte” (90) e “Soldado Universal” (92), Jea...

Let's talk about sex!

Ouvi falar pela primeira vez de Alfred Kinsey ao ler “A mulher do próximo”, livraço de Gay Talese que aborda, principalmente, a evolução da sexualidade na sociedade norte-americana. À época fiquei curioso e vi que Hollywood já havia feito um filme a seu respeito, mas passou um bom tempo até que eu pudesse assisti-lo. Pois bem. Assisti a ele hoje. Até se tornar famoso, Kinsey (interpretado no filme por Liam Neeson) era um respeitado pesquisador da área de biologia animal. O que o tirou do anonimato nacional foram seus trabalhos a respeito da sexualidade humana. Até hoje, pelo que o Google nos diz, suas obras são consideradas fundamentais para o entendimento da diversidade sexual. Mas, em fins dos anos 40, seu árduo trabalho foi alvo de pancadas de toda espécie, vindas de carolas a colegas cientistas, de pais de família à conservadoríssima direita do país, já articulada na lamentável caça às bruxas dos tempos macarthistas. Inicialmente, Kinsey queria apenas que os estudantes tivessem ace...