1 de agosto de 2007

"Todos juntos somos fortes"

O título remete a uma das músicas dos Saltimbancos, peça escrita pelo Chico. E tem a ver com o vídeo abaixo, que é longo, mas vale a pena ver. Manja aquela situação no colégio (quem é homem sabe do que estou falando) em que dois grandões da oitava série pegam o nanico da sua turma e batem no coitado até dizer chega? A natureza dá uma dica de como lidar com isso:

28 de julho de 2007

Tchan fazendo escola...

Sem comentários. Só digo que o rapaz é do México e que "gusano" é uma espécie de bichinho da goiaba.

4 de julho de 2007

A classe média e os pobres

Grande parte texto do Marcelo Coelho na Folha de hoje tem a ver com o espírito aqui do "Já reparou?". Ele fala de um fenômeno típico da classe média brasileira que precisa ser reparado (nos dois sentidos do verbo) imediatamente: a ojeriza de manter contato com a pobreza.

Infelizmente tenho percebido esse tipo de sentimento até mesmo com gente bem próxima, que nem tão distante da pobreza está. Típico caso de "comer mortadela e arrotar peru". É a velha história: a sociedade brasileira ainda tem muitos traços de racismo, mas seu principal – e odioso – problema é o preconceito social.

Segue abaixo o texto:

Cultura da explicação

Fico tentando entender o que leva um grupo de delinqüentes de classe média a espancar, tarde da noite, uma mulher parada num ponto de ônibus, como aconteceu há poucos dias no Rio de Janeiro. Parece que faziam isso habitualmente; funcionários de um posto de gasolina contam tê-los visto mais de uma vez comemorando o sucesso de suas expedições.Fala-se em "intolerância": organizavam-se para atacar prostitutas. Só que desta vez atingiram uma empregada doméstica. Se o caso fosse "apenas" isso, uma mania de perseguir prostitutas, haveria sem dúvida uma linha de interpretação possível. Acho-a insuficiente, mas vamos ver até onde vai.

Tudo poderia ser entendido como uma forma doentia de repressão sexual. Imagino que, há um século, certos assassinos famosos de prostitutas buscassem matar quem expusesse em público um desejo sexual de que tinham vergonha e que não conseguiam satisfazer.

Ainda que evidentemente genérica, essa interpretação teria algum sentido em épocas remotas. Não tenho certeza se atualmente se vive uma era de total liberdade sexual entre os jovens, mas em todo caso a repressão não é, por certo, o forte do nosso sistema educativo.

Mais provável, então, que a "intolerância" seja de outra natureza. O que a classe média brasileira não mais suporta -haja vista as iniciativas de controlar a mendicância em São Paulo- é o contato com gente pobre. Você mora num condomínio bem-cuidado, freqüenta um colégio particular, passeia num shopping center, e tudo vai às mil maravilhas.

Só que existe a rua, o trânsito, o sinal vermelho, e quando você olha para o lado lá estão eles. À noite, parada na rua, uma mulher pode ser prostituta, mas pode estar apenas esperando um ônibus. Pouco importa: não é "tudo a mesma coisa"? Havia uma comunidade no orkut (devem ser contadas às centenas, mas não tenho estômago para procurar) chamada "Odeio pobre". O idealizador dessa pequena organização dava seus motivos: eles falam alto, o carro deles, no fim de semana, encrenca na estrada e atrapalha a nossa vida, eles se vestem mal, usam aqueles guarda-chuvas que não funcionam, não entendem o que a gente diz...

Uma vez que não há perspectivas de ver o Brasil tornar-se um "país de primeiro mundo" pelos mecanismos normais do desenvolvimento econômico, começam a surgir sinais de fantasia genocida. A "limpeza" não se limitaria à remoção de favelas ou de bancos habitáveis nas praças públicas, mas precisa recorrer a medidas radicais, como incendiar mendigos ou, no mínimo, espancar quem não tiver a roupa certa, a cor certa, o carro certo.

"Intolerância"? Não acho que seja este o termo. A questão não se resume, evidentemente, a "tolerar" os pobres (embora seja isso o que muita gente acaba defendendo). Já é sintoma de nossa patologia social falar no "respeito ao diferente" quando se pensa em proteger quem faz parte da maioria da população. Bem, mas eles pensavam que estavam atacando prostitutas. O motivo dessa escolha, entretanto, é certamente mais odioso do que o da pura "intolerância" com relação à atividade dessas mulheres. É que a prostituta não vai dar queixa na polícia.

Seja como for, o ódio aos pobres não leva tanta gente assim a cometer a barbaridade que se viu na Barra da Tijuca. Será que esses "meninos", esses "garotos", esses "adolescentes" (quanta ilusão nessas palavras!) tiveram uma educação excessivamente liberal? Acostumaram-se à "cultura da impunidade" que predomina no país? Pode ser. Mas isso não explica tudo.

Poderiam drogar-se sozinhos, dedicar-se a pichações, depredar caixas eletrônicos na calada da noite. Só que seria pouco. Tentando achar uma explicação para o caso, concluo que o erro está na minha própria pergunta. Fala-se muito na "cultura da impunidade", mas existe também uma "cultura da explicação". Para cada absurdo que acontece, há sempre um repórter pedindo explicações a algum especialista.

Entrevistar os próprios delinqüentes não daria certo tampouco: ouviríamos aquele tipo de adolescentês desarticulado que se encontra em toda parte. Foi pra zoar, mó legal, foi só de sarro, sei lá, tá ligado? De tanto serem "explicados", de tanto que as pessoas se esforçam por entendê-los, é que nossos "jovens" acabam fazendo essas e outras proezas. Querem ser inexplicáveis; querem ser irracionais. Trata-se de um desejo bastante comum, aliás, na espécie humana.

29 de junho de 2007

Mônica Salmaso, a mentirosa

Primeira mentira: "Me desculpem por estar gripadíssima hoje. Talvez minha voz não esteja tão boa e não dure até o final do show". Segunda lorota: "Eu sei que alguns vão embora insatisfeitos, pois o show tem só 14 músicas e todo mundo tem ao menos umas 170 canções preferidas do Chico... lamento".

Mônica Salmaso mentiu de forma descarada durante o show desta quinta-feira (28), no Teatro Fecap (uma grata surpresa, pela boa localização e pelo aconchego da casa). Sua voz esteve magnífica, à altura do repertório escolhido para a temporada de lançamento do disco "Noites de gala, samba na rua", gravado com a incrível banda Pau Brasil, apenas com músicas de Chico Buarque. E corto meus dedos se alguém da platéia foi embora insatisfeito, tamanho o brilhantismo da interpretação das 14 canções (OK, poderiam ser 28, 56 ou 112) carinhosamente selecionadas no vasto repertório do feioso.

Impressiona uma certa desenvoltura travestida de timidez da cantora, especialmente nos comentários que ela faz nos intervalos entre algumas músicas. Mônica conta causos sobre Chico ("de fontes quentíssimas"), explica que a letra de "Você, você", parceria com Guinga (amém!), foi composta pensando em seu neto – mas sob o ponto de vista da mãe – e faz comentários engraçadíssimos, com cara de mocinha que acabou de fazer alguma travessura.

É impossível também não comparar a interpretação que Mônica dá a algumas músicas de Chico. "Ciranda da Bailarina" é cantada com charme inédito, que faz sorrir e ter vontade de voltar a ser criança. "Beatriz" fica 428% mais bonita do que na voz de Ana Carolina, mas a gravação de Milton Nascimento ainda é insuperável. A já citada "Você, você" fica pau a pau com a versão de Leila Pinheiro. "Partido alto", tantas vezes gravada por homens e mulheres, se enriquece com o belo arranjo da Pau Brasil. Já "Quem te viu, quem te vê", de tão bem cantada, chega a um nível tão bom quanto o de Maria Bethânia, embora comparações com a irmã de Caetano sejam descabidas, mesmo para alguém tão qualificada como Salmaso.

Com o novo disco – o sétimo de sua carreira – e tão belo show, a "mentirosa" não apenas se firma como alguém da linha de frente entre as cantoras brasileiras (sem precisar gritar ou cantar feito homem), mas segue em um caminho que muitas de suas colegas não conseguiram se manter. Assim como Bethânia (e ao contrário de Gal Costa, por exemplo), Mônica Salmaso exibe novamente sua voz (ouça os discos anteriores) a partir de músicas de qualidade inquestionável, sem cair em modismos ou projetos descabidos.

Minuto de silêncio

Na condição de sujeito que gosta de ler, estou bem chateado pelo fechamento do NoMínimo, site que era uma espécie de refúgio em meio às porcarias da internet, onde ao menos uma passadinha diária era algo sagrado, pois havia a certeza de encontrar sempre textos bacanas, de temas tão distintos quanto política, religião, mulher pelada, as ótimas sacadas do Tutty Vasquez, futebol, comportamento, cinema, música e por aí vai...

Sem mais delongas, fica aqui minha última chupinhada do site – e a menos bacana de todas:

Aqui jaz o NoMínimo

Editores, blogueiros, colunistas, funcionários, colaboradores assíduos ou ocasionais, enfim, todos que ajudaram a criar o site de jornalistas mais querido do Brasil comunicam sua morte súbita neste 29 de junho de 2007, vítima de inanição financeira decorrente do desinteresse quase geral de patrocinadores e anunciantes em sua sobrevida na web. NoMínimo deixa órfãos cerca de 150 mil assinantes entre os mais de 3 milhões de visitantes que, em média, se habituaram a passar por aqui todo mês nos últimos 5 anos. Seus realizadores também sentem muito o triste fim desse espaço livre, democrático e criativo de trabalho, mas se despedem com a sensação de dever cumprido com o jornalismo e a camaradagem que nos une. Foi bom, foi muito bom enquanto durou. Quantos no país têm a oportunidade de tocar seus próprios projetos com prazer, independência e alegria? Aos leitores, nossas desculpas pela falta de talento empreendedor, o que talvez pudesse transformar o site num bom negócio financeiro. Fica para a próxima. Até breve.

21 de junho de 2007

Gosta de filmes? E de música?

Então entre neste link, ligue as caixas de som e tente descobrir de quais filmes as 64 músicas que aparecerão. Eu acertei 52 e desisti. Faltaram pra mim as seguintes: 9, 19, 21, 29, 40, 41, 48, 59, 60, 61, 62 e 64.

As respostas não aparecem. Vou ter que contar com a solidariedade alheia pra descobrir quais são as que esqueci – algumas estão na ponta da língua, outras jamais ouvi.

O link é o seguinte: http://www.dreampix.com.br/jogos/filmes/

Sobre toucas, maiôs comportados e cabelos surpreendentes

De modo geral, antes de ver pessoas que fazem parte do seu dia-a-dia com pouca (ou sem) roupa pela primeira vez, é usual vê-las com seus trajes habituais, seja no trabalho, no bar, na balada, na faculdade, na rua de casa, em qualquer lugar. O processo inverso é bem engraçado

Falo aqui de algo que tenho reparado nas aulas de natação. E esclareço, aos praieiros de plantão: o raciocínio só é válido para aqueles que não têm o prazer de viver em cidades litorâneas, onde as pessoas fazem amizades e conquistam novos amores à beira-mar com freqüência – ao menos aqueles que aproveitam a felicidade de morar no RJ, em alguma capital nordestina ou em paraísos semelhantes.

De volta ao raciocínio e às raias da piscina onde tenho dado umas braçadas: após algumas aulas, é natural surgir um relacionamento bacana entre a turma da natação – relação essa que às vezes se estende para fora da academia, pelos corredores do prédio ou pelo estacionamento. Aí vêm os choques:

- Aquela mocinha de corpo bonito e de maiô surpreendentemente cavado (todas as mulheres, exceto ela, vestem maiôs de vovó... impressionante!) usa roupas extremamente comportadas fora d'água...

- O gordinho de touca de silicone tem uma bela cabeleira grisalha, à la Richard Gere quase...

- A velhinha que sorri sem parar para o professor se veste praticamente como uma tchutchuca, tem uns cabelos coloridos e dirige um Ecosport...

- A moça que não pára de falar e dar risada durante as aulas é de uma sobriedade constrangedora fora da piscina.

Na água, enquanto o professor dá uma outra instrução, poucos sabem o que os colegas semi-nus fazem da vida, se moram perto ou longe, se vivem com ou pais ou se têm filhos. Mas todos sabem que Fulano tem uns pneus a mais, que Sicrana tem seios fartos e que Beltrana sempre se arrepia ao entrar na piscina, mesmo aquecida. Tem-se uma intimidade visual absurda, que, no final das contas, ajuda, fora da piscina, a dar mais valor a detalhes pouco comuns, como as orelhas das pessoas. Mas as orelhas (ah, as orelhas!) merecem um texto exclusivo para elas...

18 de junho de 2007

Uma ida ao Morumbi, após três anos de ausência

Futebol e um livro bacana... que combinação! Motivado pela leitura de "Febre de bola", de Nick Hornby, decidi que tinha chegado a hora de voltar a freqüentar estádios de futebol, depois de três anos e uns meses. Lá fui eu, acompanhado do primo Carlos, ver o Tricolor enfrentar o Vasco. O jogo, sofrível – apesar da vitória são-paulina por 2 a 0 –, acabou sendo o detalhe menos importante dessa jornada dominical.

"Febre de bola", do mesmo autor de "Alta Fidelidade" (o filme, bem legal e mais conhecido, é baseado no livro), é uma espécie de diário futebolístico da vida de Hornby, no qual ele mostra sua paixão pelo Arsenal como pano de fundo de suas inquietações, felicidades, decepções, descobertas e do modo como deixou a infância, cresceu, cresceu, cresceu (nem tanto...) e se tornou adulto.

A descrição que o autor faz de algumas partidas históricas do Arsenal e especialmente a relação que ele desenvolveu com o estádio de Highbury incentivam qualquer sujeito que goste de futebol a sentir vontade de ver seu time ao vivo, ao lado de milhares de torcedores – mesmo aqueles que como eu já se diziam oficialmente aposentados dessa atividade e satisfeitos com o famigerado pay-per-view da TV por assinatura.

É fato que pouca coisa mudou no Morumbi: ir de carro é um martírio, a organização e a sinalização ainda são ruins (mesmo em uma partida com apenas nove mil pagantes) e são comuns os pequenos furtos nos arredores do estádio, especialmente depois da partida.

Por outro lado, tomadas algumas precauções (como ir de ônibus, não chegar em cima da hora para comprar ingressos e andar com poucos chamarizes de trombadinhas), acompanhar certos jogos in loco ainda é, sim, divertido demais.

Sentado no sofá capenga lá de casa eu não veria o fascínio de vários moleques que aparentavam ter ido ao Morumbi pela primeira vez, nem mesmo o prazer que eles sentiam ao poder xingar quem eles quisessem, sem a censura de suas mães. Da mesma forma, não ouviria Hugo ser chamado de "tartarugo", nem tampouco as fantásticas teses e fofocas sobre os motivos da má fase do São Paulo. Abaixo, pra acabar o post, as duas melhores:

- Segundo um cara cujo pai é amigo do amigo do primo do cunhado de alguém da comissão técnica do time, os jogadores estariam rachados porque um zagueiro estaria papando a mulher do Leandro;

- Ainda sobre o Leandro: desde que ele brigou com o Luxemburgo, no último Santos x São Paulo, a irmã do técnico, que seria "uma macumbeira de primeira" segundo o papo na arquibancada, teria colocado o nome do atacante são-paulino na boca de sei-lá-qual bicho. Desde então, seu futebol sumiu, seu chifre apareceu e tudo de errado estaria acontecendo, por obra do eficiente despacho.

16 de junho de 2007

Um livro junto do Bolsa-família

Proseando dia desses com o camarada Toni, falávamos sobre a importância de sempre ter à disposição alguns livros. Por mais que o sujeito não tenha o hábito de ler, uma hora ele vai querer algo diferente de televisão e internet... aí, quem sabe, o livro pode aparecer, como quem não quer nada, e passar a fazer parte da vida do pobre rapaz ou da ingênua mocinha.

Prova disso (e de como há demanda por leitura) é um texto do Xico Sá publicado no Nominimo. Aí vai a cópia descarada dele, por uma boa causa:

Embarque na Leitura

Com três bibliotecas -estações Paraíso, Tatuapé e da Luz-, o programa Embarque na Leitura, uma iniciativa do Metrô de SP com gerenciamento do Instituto Brasil Leitor, conta com 15 mil passageiros filiados e uma retirada diária, por empréstimo, de 200 livros em média.

Para aproveitar o serviço basta se cadastrar em uma das estações, com um documento (RG ou CPF) e uma foto 3×4. São dez mil títulos, de best-sellers aos clássicos, nas prateleiras. O amigo pode ficar com o livro por um período de dez dias, prazo renovável, afinal de contas, se for, por exemplo um Guerra & Paz, do russo León Tolstói, por mais que você cruze a cidade da Barra Funda a Itaquera, ainda carecerá de um tempo extra para lê-lo a valer.

Tem de tudo no Embarque na Leitura. Dos livros básicos exigidos na escola, como Machado de Assis e José de Alencar, a ensaios de história contemporânea, caso do Edward Said, entre outros. Se o caro leitor é chegado em um Paulo Coelho, na boa, sem preconceito, pode pegar também, embora seja um desperdício de tempo, mesmo o tempo parado do trânsito de São Paulo, não acha? [Discordâncias para a porta restante dos comentários abaixo!].

Sandra Novaes, 35, usuária do programa de leitura do metrô paulistano desde o início do serviço, em 2004, encontra nos poetas o conforto para segurar a onda na correria de SP. “Pego um Manuel Bandeira e o mundo que se dane”, diz a secretária de um banco na avenida Paulista. “Antes estava na fase Drummond, peguei todos, agora estou de ´belo belo que te quero´”, recita a linda bandeiriana, me deixando em apuros em plena estação Consolação.

O gerente Antonio Lins, 29, vai de auto-ajuda mesmo, sem drama. “Ah, quero uma leitura que me ajude a crescer, né?”, ele tenta uma explicação possível. “O último que peguei acho que foi aquele dos gansos, como é mesmo?” Refere-se ao precioso volume “O que podemos aprender com os gansos”, de Alexandre Rangel, você já leu, amigo passageiro?

Wagner Santos, 39, é funcionário terceirizado da companhia do Metrô, e esnoba: “Meu negócio é Ítalo Calvino”. A amiga dele, Maristela Soares Ponciano, 44, acaba de pegar O Alienista, de Machado, para um trabalho do filho na escola. “É sobre o que mesmo esse livro?”, ela pergunta. “Sobre um maluco que não é maluco”, solta Wagner, na mosca.

Nada melhor para agüentar a Stressolândia -que dia o de ontem, amigos, com direito a pane nas estações e um mundo revirado!- do que essa viagem literária do nosso metropolitano. Bom final de semana a todos.

Longe de mim querer fazer propaganda tucana por aqui, mas é uma iniciativa muito boa, e que remete ao papo que tive com o Toni. Durante o almoço, brincamos que toda cesta básica distribuída pelo governo deveria vir acompanhada de um livro. Melhor ainda: se cada uma das 11 milhões de casas que recebem o Bolsa-família fossem agraciadas com um Machado num mês, um livro de poesias no outro, um Jorge Amado depois, o resultado a longo prazo seria assustador, de tão bom.

Em tempo: o Xico Sá sempre escreve coisas bem boas no Nominimo. Vale a visita.

15 de junho de 2007

Reclamações, tédio e o melhor dos mundos

"O homem nasceu para viver nas convulsões da inquietude ou na letargia do tédio", diz o personagem Martinho, no último capítulo de "Cândido, ou O Otimismo", de Voltaire. Já reparou que grande parte das pessoas se encaixa nessa definição?

O final do livro mostra que a vida felizmente não é bem assim, mas essa foi a frase que mais ficou em minha cabeça. Detalhes à parte, a ironia de Voltaire, as provocações a certas verdades vigentes à época e a contraposição ao otimismo do filósofo Pangloss, personagem para quem "tudo sempre está bem no melhor dos mundos", tornam a leitura bacana demais.

Os estudiosos dizem que Pangloss centraliza as críticas de Voltaire às idéias de Leibniz, filósofo do século XVIII que defendia a idéia do "melhor dos mundos". O modo como se dá esse questionamento é peculiar, com momentos que vão da bizarrice escancarada a um humor fino.

O livro é curto e sua íntegra está disponível em dezenas de sites. Dá pra ler no trabalho e é bem melhor do que ficar zanzando pelo Orkut.

12 de junho de 2007

Barbearia virtual

Se você tem um par de fones de ouvido, ligue as caixinhas de som do seu computador e curta o arquivo de áudio que se encontra neste link. No começo parece estranho, mas é algo bem legal.

http://www.updateordie.com/tecnologia/2007/05/virtual-barbershop-ouvir-com-headphone/

Ser grande é para poucos

Sábado foi noite de ver Guinga e o Quinteto Villa-Lobos, no Auditório Ibirapuera. Na primeira metade do espetáculo, só os cinco músicos de sopro no palco. Coisa fina, arranjos de grandes obras do maestro que dá nome ao grupo, canções que dão ainda mais vontade de aprender e estudar música.

Depois de uns 40 minutos, entra Guinga, debaixo de elogios efusivos do Quinteto – entre eles o incrível clarinetista Paulo Sérgio Santos, que já acompanha o violão de Guinga há um bocado de tempo. A partir de então, só músicas de seu repertório. Aí entra a grandeza de um cara que tem noção de seu talento "simples e absurdo": Guinga solou pra valer mesmo em poucas canções. Humilde e consciente da sua condição de convidado e homenageado da noite, deu o palco e direcionou a atenção da platéia ao Quinteto, que honrou em cada nota as complicadas melodias.

Fã de futebol (ele joga com o Chico às vezes!!), Guinga fez como Cruyff, que dizia jogar 85 minutos de uma partida para o time e cinco minutos para si e à platéia. Para quem já conhecia seu talento, serviu para matar a saudade. Para alguns que foram apresentados a seu talento naquela noite, foi uma ótima amostra, encerrada no bis com "Senhorinha", a música ideal para embalar qualquer Dia dos Namorados, mesmo pra quem está solteiro.

11 de junho de 2007

A foto, o vídeo e o gol

Pra quem ainda não viu o gol de Messi com a mão (novamente tal qual Maradona), aí vão o vídeo (não tão claro) e a foto que comprova a malandragem do atacante do Barcelona.

Coincidências impressionantes: além de ter repetido por duas vezes dois gestos históricos de Maradona, Messi o fez contra o Getafe nas duas ocasiões – a primeira em 18 de abril, a segunda no último sábado, 9 de junho.

No final, o Barça vacilou feio (o jogo terminou 2 a 2) e perdeu a chance de ficar a um empate do título espanhol. O campeão só será definido na última rodada e Sevilha e Real Madrid seguem na disputa.





10 de junho de 2007

Mutantes ao vivo: impressões e frases perdidas

“Antes era Fidel... agora temos Chávez!”, declama Sérgio Dias, para em seguida começar a cantar “El Justiciero”, deixando escapar um sorriso estranho... ironia ou satisfação? Em seguida, enquanto Zélia Duncan cantarola “Baby”, um cara de voz afeminada se esgoela: “Gostooooooosa! Foda-se a Rita Lee!!!”.

Começa “Ando meio desligado”, a trilha sonora do último fora doído que levei, já há um tempo razoável. Manja aquela parte do “eu não vejo a hora de te dizer aquilo tudo que eu decorei”? Nunca sai daquela forma, mas tudo bem...

“O que essas crianças estão fazendo aqui, amor?”, pergunta uma gordinha grisalha ao marido, apontando pra um grupo de caras que, apesar de não terem nada de crianças, deviam ser ao menos uns 30 anos mais jovens que o casal estupefato.

Já falaram maravilhas milhares de vezes do teclado do Arnaldo e da guitarra do Sérgio Dias. Além de ouvir de pertinho que isso é uma verdade indiscutível, é bem bacana sentir que os dois têm um tesão danado de mostrar isso pras “crianças” a que se referiu a gordinha grisalha.

Crianças e grisalhas à parte, ver um show desses deveria ser obrigatório pra quem se interessa por música – mesmo para aqueles que não são fãs de rock. É como assistir a “Casablanca” ou ler “Dom Quixote”: quem gosta de filmes e livros simplesmente tem que dedicar algum tempo a eles, mesmo que seja para odiá-los. Mas eu gostei. Pra cacete.

8 de junho de 2007

Como homens e mulheres tomam banho

Já que a experiência de postar vídeos foi bem-sucedida, aqui vai outro, descaradamente copiado do NoMínimo. Bem divertido!

7 de junho de 2007

Pra começar bem...

OK, é só um post pra eu aprender a colocar vídeos aqui. Mas me permitam colocar algo do Chico, só pra garantir um bom começo.

Parodiando um comentário feito no próprio YouTube sobre o vídeo, "pelo fim da ditadura vale até fazer playback no Chacrinha".

Uma justa explicação

Dizem por aí que o ser humano, assim como a lua e os jogos do Mario Bros, tem algumas fases. Eu tenho fases de vocabulário restrito. Por algum tempo, falei "já reparou?" sempre que precisava chamar a atenção de alguém.

A idéia do blog é exatamente essa. Seja por meio de comentários curtos, crônicas ou vídeos, sinta-se cutucado por alguém que achou algo interessante e decidiu compartilhar essa informação.

Os primeiros posts servirão de aquecimento, já que há quase um ano o blog antigo foi aposentado por motivos de força maior. Em tempos de YouTube, preciso também aprender a colocá-los aqui. Vamos ver até quando essa brincadeira dura.