Hoje ao sair de casa vi um menino que visivelmente estava com medo de um cachorro que anda solto pela vizinhança. Ato contínuo, me vi no rapaz, como numa viagem pelo tempo, rumo a uns 17 ou 18 anos atrás. Até uns 14 anos de idade, quase tudo que eu fazia me obrigava a passar a pé por uma das três ruas que cercavam minha casa, seja pra ir à escola, jogar bola ou dar um pulo na casa de algum amigo: a primeira opção era uma senhora subidona, a da rua Dias Vieira, caminho que eu preguiçosamente rejeitava; a segunda era uma subida mais moderada e curta, na minha própria rua; a terceira era a opção mais longa (outra subida), pela qual eu via o movimento da rua principal da Vila Sônia, a Silvio Dante Bertachi. Pois bem: nos dois caminhos favoritos em geral eu me deparava com cachorros. Na subida da minha rua, o vira-lata era até merecedor de respeito: um pastor alemão que vivia solto em um quintalzão sem grades, dono de um focinho apurado, que devia captar a quilômetros a aproximação de moleq...