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Mostrando postagens com o rótulo educação

Argentina e a importância de Sarmiento

Achei uns textos antigos. Vou republicar por aqui. Contradições do liberalismo na Argentina: Uma análise da trajetória de Domingo Faustino Sarmiento Em 1922, o Prêmio Nobel de Literatura Jacinto Benavente visitou por um mês a Argentina. A cada cidade por onde passava, jornalistas e curiosos perguntavam a ele suas impressões a respeito do país e de sua população, tarefa da qual o escritor se esquivou como pôde até o dia de sua partida. Ao subir no navio que o levaria de volta à Europa, Benavente disparou um verdadeiro “tiro de canhão”, naquela que seria sua definição sobre o povo local: “Formem a única palavra possível com as letras que compõem a palavra ‘argentino’” [1] . Desde então o caso é lembrado como piada para lembrar que o único anagrama possível com as letras de “argentino” é “ignorante”. A obsessão de Sarmiento Os argentinos de mais idade se lembram de tempos em que as escolas ensinavam aos estudantes uma série de hinos: o Hino Nacional , o Hino à Bandeira , a March...

Abreviações

Dia desses, ao ver que o sobrinho de um amigo terminara seu processo de alfabetização, me peguei pensando em como cada criança tem suas dificuldades nessa fase fundamental. Cria-se um verdadeiro novo mundo diante dos olhos dos pequenos. Aquilo que até poucos meses atrás parecia como um código indecifrável passa a ter sentido. E, quando o sentido não surge, o bê-á-bá permite que apareçam inúmeras interrogações em seus pequenos (e tão borbulhantes!) cérebros. Até hoje é frequente eu me flagrar com um sorriso ao me deparar com algumas palavras que me pareciam indecifráveis. Nem sempre os pais, algum adulto ou colegas mais velhos estão por perto para ajudar. Desde os quatro ou cinco anos até o início da adolescência eu apresentava certa incompreensão em relação às abreviaturas surgiam pela cidade, nos livros, nas propagandas de TV, gibis e em tudo que estivesse cheio de letras e estivesse ao alcance dos meus olhos. A primeira delas sem dúvida foi a palavra “limitada”, sempre ao final do no...

Educação em casa: Ziraldo dá a dica

Ziraldo deu uma entrevista à “Folha” neste domingo. Apesar de falar sobre outros assuntos (basicamente sobre o filme “Uma professora muito maluquinha”), o foco principal foi educação. Coloco abaixo o que me pareceu interessante. Em negrito vai o que achei bom demais (e ao mesmo tempo preocupante, pois o que tenho visto por aí é exatamente o contrário). Folha - O que acha da situação educacional brasileira? Ziraldo - O Brasil não tem 10% de analfabetos, tem 90%. Quem não lê jornal é analfabeto funcional, não está interessado em nada, é incapaz de se expressar pela escrita e entender o que está lendo . O pessoal está chegando ao vestibular analfabeto. E as escolas? A escola de antigamente não era risonha e franca como se diz por aí, isso é balela. A escola educava para a escola. Agora busca educar para a vida. A gente avançou. Mas há grandes equívocos. A principal prioridade, que é ensinar a ler, a escrever e a contar, foi esquecida . E os professores? O que salva é o heroísmo de alguns....

Ler ou não ler, eis a questão

Reproduzo abaixo o texto de Luiz Felipe Ponde publicado na edição de hoje (25/07) da Folha : Você gosta de Dostoiévski? Se a resposta for "não", o problema está em você, nunca nele. Uma coisa que qualquer pessoa culta deve saber é que Dostoiévski (e outros grandes como ele) nunca está errado, você sim. Se você o leu e não gostou, minta. Procure ajuda profissional. Nunca diga algo como "Dostoiévski não está com nada" porque queima seu filme. Costumo dizer isso para meus alunos de graduação. Eles riem. Aliás, um dos grandes momentos do meu dia é quando entro numa sala com uns 30 deles. Inquietos, barulhentos, desatentos, mas sempre prontos a ouvir alguém que tem prazer em estar com eles. Parte do pouco de otimismo que experimento na vida (coisa rara para um niilista... risadas) vem deles. Devido a essa experiência, costumo rir de muito blá-blá-blá que falam por aí sobre "as novas gerações". Um exemplo desse blá-blá-blá são os pais e professores dizerem coisa...

Chile e algumas baboseiras que caem por terra

Quem tem seus 30 e poucos anos e se interessa por política e economia internacional cresceu ouvindo a ladainha de que o Chile deveria ser um exemplo para o Brasil. Seu sistema educacional, sua “modernidade” e seu modelo de previdência eram a toda hora comparados com o nosso. OK, não temos muitos motivos para nos orgulhar nessas áreas, mas o tempo demonstrou que nem de brincadeira deveríamos seguir qualquer cartilha chilena. As recentes manifestações ocorridas no Chile corroboram a ideia de que seu modelo fracassou. Grande parte do receituário chileno foi imposto durante a ditadura de Pinochet, período no qual o país serviu de cobaia para as experiências neoliberais que depois seriam acolhidas por toda América Latina. Os exemplos da previdência privada e da educação superior no Chile são emblemáticos. A partir de 1981, o governo abandonou o sistema tradicional de previdência e entregou-o a fundos privados. A proposta foi tão radical que nem mesmo Ronald Reagan e Margaret Thatcher ousara...

E quando ele(a) decidir o que será quando crescer?

Desde que passei a considerar seriamente a ideia de ser pai, volta-e-meia me pego preocupado com a educação do(a) futuro(a) herdeiro(a) – já escrevi sobre isso por aqui, quando escrevi sobre a dificuldade de se escolher uma escolinha para os primeiros anos de vida de uma criança. Volto ao tema, mas já pensando mais à frente, na época em que precisar dar algum tipo de "orientação vocacional" ao moleque-bom-de-bola ou à menina-linda-do-papai. Quase todos os jornalistas que conheço sempre falam que a sugestão deve caminhar para a área de exatas; alguns amigos da área de exatas sugerem profissões mais criativas. No frigir dos ovos, poucos são (ou estão) realmente satisfeitos com seus trabalhos, mas no final das contas a ideia de direcionar a profissão de um filho me parece tão ultrapassada quanto certos conceitos que ainda temos sobre a hora certa para buscar um primeiro emprego. As próximas décadas vão mostrar qual rumo o Brasil tomará, mas percebo que a maioria das pessoas de m...