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O cinema de Bananal

Eis que após 26 anos de clausura, a cidade de Bananal, no interiorzão de SP, tem de novo um cinema à disposição de sua população. Passei a vida inteira ouvindo minha mãe e algumas tias apontando, em tom saudoso, que bem ali, no coração da rua principal do centrinho de Bananal, ficava o cinema. Neste feriado pude ver o espaço reformado e pronto para receber, com dignidade, a pequena população da cidade, ávida por cultura. O cinema foi reaberto no final de semana passado. A estrutura é simples: um grande auditório, com mais ou menos 200 cadeiras. No alto e ao fundo, um projetor. À frente, uma grande parede branca e um palco, o que permite aproveitar o espaço para apresentações teatrais também. Nenhum segredo, nenhuma inovação. Apenas um pouco de iniciativa da Prefeitura. No sábado, no horário nobre das 21h, não houve sessão, mas sim um espetáculo de dança chamado "Senha", que vem rodando o interior de São Paulo, às custas do governo estadual. No domingo, um filme infantil à tar...

Livros, sempre eles

Reproduzo abaixo texto do Ruy Castro, publicado hoje na Folha: Alguém abre um livro Outro dia, falando num encontro de livreiros, eu dizia que todos nós, que trabalhamos com livros -que os escrevemos, editamos, distribuímos, vendemos ou promovemos-, devíamos nos sentir privilegiados. Nosso produto não anuncia na TV, não é vendido na farmácia junto com os xampus, fraldas e chinelos e, para ser apreciado, precisa ser lido linha a linha e ainda temos de lamber o dedo para virar a página. Mas, toda vez que um brasileiro abre um livro, o Brasil melhora. Tal afirmação ameaça parecer uma pieguice poética num país que, segundo o novo relatório divulgado pelo Pnud (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento), pode estar em 73º lugar no ranking mundial de IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) - o que, em si, já é uma vergonha -, mas, num dos itens mais importantes, empata com o Zimbábue, que, em 169º no ranking, é o mais atrasado do mundo. Nossos estudantes passam o mesmo número de anos ...

Então...

Quem dá bola a certos "especialistas" merece mesmo ouvir tais barbaridades. O papo abaixo rolou no "Bom dia Brasil" da última segunda-feira: Renato Machado: “Miriam Leitão, pela primeira vez uma mulher é eleita presidente da República. Qual é o significado deste fato?” Miriam Leitão: “Importantíssimo. A última vez que uma mulher governou o Brasil foi no século 19. E agora no século 21 uma mulher vai governar o Brasil. (…) Alexandre Garcia: “A Miriam me deixou com uma curiosidade. Que mulher governou o país no século 19?” Miriam Leitão: “A princesa Isabel, em nome do seu pai, quando ele viajava pra… Somado, dá quase quatro anos. Ela exerceu o mandato em partes, né?”

Envergonhado

Até segunda-feira à noite eu estava bem feliz pela vitória da Dilma. Na verdade, ainda estou, mas desde que me sentei à frente do computador um sentimento de vergonha bateu bem mais forte, devido a um nicho da população do Sul e do Sudeste que insiste em exibir todo seu preconceito e ignorância. Preconceito pela violência verbal que se viu em todas as redes sociais contra os cidadãos do Norte e do Nordeste, regiões nas quais Dilma se saiu muito melhor. Ignorância porque essas mesmas pessoas, que se consideram superiores, mostram que não sabem sequer ler as informações de uma eleição. Por que essa raiva toda também não foi direcionada aos cidadãos de Minas Gerais e Rio de Janeiro, estados nos quais Dilma ganhou de Serra com boa folga? Só em MG, foram dois milhões de votos a mais para a petista. No total, Dilma teve cerca de 12 milhões de votos a mais do que Serra. No Nordeste, ela teve 10 milhões de apoiadores a mais do que o tucano. Ou seja: mesmo que o Nordeste fosse suprimido do Bras...

Serra, Dilma, a galinha e a rua

Não sei quem é o autor, mas dá pra rir um bocano... Serra e Dilma respondem: por que a galinha atravessou a rua? Dilma Rousseff: “No que se refere ao fato de a galinha ter cruzado a rua, eu considero que este é mais um ganho do governo do presidente Lula. Eu considero que foi apenas depois que o presidente Lula me pediu para coordenar o PAC das Ruas é que as galinhas no que se refere ao cruzamento das ruas tiveram a oportunidade de poder cruzar as ruas, coisa que, aliás, só as galinhas com maior poder aquisitivo podiam no governo FHC, no qual o meu adversário foi ministro do Planejamento e da Saúde”. José Serra: “Olha, este é mais um trolóló da campanha petista. Veja bem, as galinhas cruzam as ruas no Brasil, há anos. Eu mesmo coordenei a emenda na Constituição que permite o direito de ir e vir das galinhas. Eles ficam falando que foram eles que inventaram esse cruzamento de ruas, mas já no governo Montoro, quando eu era secretário do Planejamento, as galinhas cruzaram as ruas com ma...

Rubens, o obstinado

Rubens trabalha no mesmo prédio que eu. Ele é um dos porteiros do edifício, responsável pelo turno entre 15h e 22h. Sujeito educado, de fala mansa e sempre disposto a uma prosa, há cerca de quatro meses comecei a reparar que ele sempre aproveitava seu tempo livre para estudar. “Concurso público”, explicou certo dia, ao me chamar para tirar uma dúvida de português. Rubens tem dois empregos. O de porteiro na Liberdade é seu segundo. O primeiro é fruto de outro concurso público, mas para nível de Ensino Fundamental. “Agora estudo para um de nível um pouco melhor, de Ensino Médio”, comentou. Coisa de três semanas atrás, numa noite em que esperava pela Aline, vi que Rubens digitava algo num teclado meio velho. Na tela do computador, no entanto, apareciam somente as imagens das câmeras de segurança do prédio. Fiquei sem entender, mas Rubens tinha a resposta: “Não posso tirar as imagens das câmeras da tela, então uso o teclado para praticar minha digitação”. Rubens havia passado para a segund...

Brasil, 1 ano

Hoje faz exatamente um ano que voltei da América do Norte, depois de alguns meses absolutamente fantásticos. É antigo o chavão de viagens que mudam uma pessoa, mas não acho que isso tenha ocorrido – nem pro bem e nem pro mal. Experiências como essas devem ser simplesmente usufruídas, sem a necessidade de significar qualquer ruptura ou uma nova fase, como se tornou usual dizer. Tem chovido pouco em São Paulo nos últimos meses. No entanto, sempre que isso ocorre, Vancouver vem à cabeça imediatamente. O frio paulistano, por sua vez, às vezes consegue ser mais cortante do que o canadense ou o estadunidense, mesmo quando a temperatura por aqui está acima dos 10º – certos fenômenos eu simplesmente não tenho a capacidade de comprender... Sinto falta do Stanley Park, em Vancouver. Sinto falta das pizzas toscas de US$ 1,50 a fatia e do chocolate quente do Tim Hortons. Sinto saudade de alguns amigos que fiz por lá e não entendo como companhias tão importantes de repente desaparecem. Não sinto ta...