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Mostrando postagens com o rótulo religião

A lucidez do ateísmo consciente

Em tempos nos quais o posicionamento de alguns ateus beira o fanatismo religioso , ler o artigo de Drausio Varella, publicado neste sábado, na Folha de S.Paulo, serve de alento e como reafirmação de uma postura que ainda é muito mal vista na sociedade. Faço das palavras do médico as minhas, sem retirar uma vírgula sequer. Leia abaixo o texto: Intolerância religiosa Sou ateu e mereço o mesmo respeito que tenho pelos religiosos. A humanidade inteira segue uma religião ou crê em algum ser ou fenômeno transcendental que dê sentido à existência. Os que não sentem necessidade de teorias para explicar a que viemos e para onde iremos são tão poucos que parecem extraterrestres. Dono de um cérebro com capacidade de processamento de dados incomparável na escala animal, ao que tudo indica só o homem faz conjecturas sobre o destino depois da morte. A possibilidade de que a última batida do coração decrete o fim do espetáculo é aterradora. Do medo e do inconformismo gerado por ela, nasce ...

O desserviço do ateísmo xiita

Em 2007, “Veja”, como sempre com intenções nada nobres, encomendou ao Instituto Sensus uma pesquisa que mostrou dados interessantes sobre a sociedade brasileira. Segundo o levantamento, 32% dos eleitores votariam em um homossexual para presidente; 57% não criariam empecilhos para votar em uma mulher; 84% optariam sem problemas por um negro; e apenas 13% votariam em um candidato que se declarasse ateu. Essa discussão já esteve em voga em pelo menos em três eleições no Brasil. Em 1985, num debate entre candidatos à prefeitura de São Paulo, Fernando Henrique Cardoso gaguejou ao vivo quando perguntado se era ateu. Jânio Quadros soube se aproveitar da situação e virou uma disputa praticamente perdida. Em 1989, não foram poucos os boatos que associavam Lula a um ateu comunista comedor de criancinhas. Em 2010, Dilma, que mal deve saber o Pai-Nosso, teve que fugir do assunto e se passar por carola. O que leva uma pessoa religiosa a ter esse tipo de sentimento por alguém que afirma não crer em ...

Edir Macedo progressista?

Foi com alguma surpresa que terminei a leitura de “O Bispo – A história revelada de Edir Macedo”, livro chapa-branca de autoria dos jornalistas Douglas Tavolaro e Christina Lemos, funcionários da Rede Record. Surpresa e satisfação, por notar que uma das autoridades religiosas mais importantes do país é capaz de ter pontos de vista progressistas, ao contrário da imagem comumente associada a suas pregações. Como o próprio título diz, a obra é uma biografia (autorizada) de Edir Macedo. De conteúdo raso e calcado em centenas de horas de entrevistas concedidas pelo bispo, os autores conseguem contar, em linguagem simples e apressada, a história do funcionário público que construiu um império fabuloso, a conhecida Igreja Universal do Reino de Deus. Em tempo: neste texto não haverá qualquer tipo de juízo de valor a respeito da fé do bispo e de seus seguidores. Irei me ater a alguns depoimentos retirados do livro acima citado, pela sensação inusitada que tais trechos me causaram. Em determinad...

O exemplo da IURD

Você que gosta de comunicação, se interessa por religião ou simplesmente pelo que acontece ao seu redor, já teve a chance de dar uma folheada na "Folha Universal", publicação semanal da Igreja Universal do Reino de Deus? Há pouco mais de um ano ouvi falar que a IURD havia decidido investir pesado em seu principal veículo impresso, e para isso contratou jornalistas experientes e todo o aparato necessário para fazer um material de qualidade. A profissionalização passou a contar mais do que as relações com dirigentes da igreja. E parece que o resultado disso tem sido muito bom. Deixaram um exemplar da "Folha Universal" na semana passada no portão de minha casa. De cara, um número desperta minha atenção: 2.554.750 exemplares de tiragem, algo absurdamente grande. Para efeito de comparação: a "Veja", apesar de todos os pesares, ainda tem cerca de um milhão de assinantes, além de cerca de 200 mil exemplares vendidos semanalmente nas bancas pelo país afora. Ainda ...

Sobre religião...

Trecho de "O idiota". Dostoievski na veia... "Entretanto, a despeito de toda a vontade, nunca pude imaginar que não existe vida futura nem providência. Ou melhor, que tudo isso existe mas que nada entendemos da vida futura e das suas leis. Mas se é tão difícil e totalmente impossível compreender isso, então será que eu vou responder pelo fato de que não tive condição de compreender isso, então será que eu vou responder pelo fato de que não tive condição de compreender o inconcebível? Eles dizem, é verdade e, é necessário obedecer sem julgar, apenas por boa educação, e que por minha submissão eu serei recompensado sem falta no outro mundo. Nós humilhamos demasiadamente a providência, atribuindo-lhe os nossos conceitos, movidos pelo despeito de não podermos compreendê-la. Porém, se ademais é impossível compreendê-la, então, repito, também é difícil responder por aquilo que não é dado ao homem compreender. Sendo assim, de que jeito irão me julgar pelo fato de que eu não pud...

Irresponsável, hipócrita, vendilhão

A cada semana ganho um novo argumento contrário a relgiosos e suas religiões, quaisquer sejam elas. A bola da vez é o imortal padre Marcelo Rossi, aquele que, quando todos imaginam estar recluso a seus deveres sacerdotais, reaparece erguendo as mãos ou, o que é pior, falando asneiras. São Paulo, Palmeiras, Santos e Corinthians se uniram em torno de uma marca, o G4, com a finalidade de aproveitar, de maneira mais eficaz, o potencial de marketing dessas quatro marcas. A Kaiser é a primeira das empresas a dispor de alguma bufunfa, em troca de certa visibilidade já no Campeonato Paulista deste ano. Junto dessa turma toda, eis que aparece Marcelo Rossi, fazendo sei-lá-o-quê! Até aí, a besteira era só visual. Os quatro clubes, preocupados em agradar o patrocinador, defenderam a volta da venda de cerveja nos estádios de futebol. Em seguida, algum bendito repórter decidiu perguntar a opinião do padre sobre o tema. Aí veio a pérola: "As bebidas fermentadas são toleradas pela igreja. O prob...

Juca Kfouri, futebol, Deus

Pausa nos textos sobre o Canada para reproduzir a coluna de hoje do Juca Kfouri na Folha. Deixem Jesus em paz MEU PAI, na primeira vez em que me ouviu dizer que eu era ateu, me disse para mudar o discurso e dizer que eu era agnóstico: "Você não tem cultura para se dizer ateu", sentenciou. Confesso que fiquei meio sem entender. Até que, nem faz muito tempo, pude ler "Em que Creem os que Não Creem", uma troca de cartas entre Umberto Eco e o cardeal Martini, de Milão, livro editado no Brasil pela editora Record. De fato, o velho tinha razão, motivo pelo qual, ele mesmo, incomparavelmente mais culto, se dissesse agnóstico, embora fosse ateu. Pois o embate entre Eco e Martini, principalmente pelos argumentos do brilhante cardeal milanês, não é coisa para qualquer um, tamanha a profundidade filosófica e teológica do religioso. Dele entendi, se tanto, uns 10%. E olhe lá. Eco, não menos brilhante, é mais fácil de entender em seu ateísmo. Até então, me bastava com o pensador...