29 de dezembro de 2011

Maurício, o pequeno cantor

O trecho que digito logo abaixo é retirado do livro “Adoniran, uma biografia”, de Celso de Campos Jr., sobre o grande sambista paulista. Aproveito pra desejar um feliz 2012 à meia dúzia de leitores que passam por aqui de vez em quando.

"Com doze anos, o menino Maurício já tinha alguma experiência em programas de calouros – na verdade, vinha participando regularmente dessas disputas desde que a irmã Mariza, a cantora mirim da família, tivera uma crise de bronquite pouco antes de uma apresentação. Na ocasião, para preencher a lacuna, o mano, dois anos mais velho, encarou o microfone e fez bonito, ganhando o primeiro prêmio.

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Naquela manhã de domingo de 1947, a apresentação seria especial. Pelo roteiro traçado pela mãe do garoto, chegara a hora do pupilo apresentar-se no programa de calouros da Rádio Record, “a Maior”, uma das líderes de audiência do rádio paulistano.

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Para aquela audição, Maurício escolhera nada menos que a épica “Granada”, do compositor mexicano Agustín Lara. [...] Com a grande orquestra da PRB-9 preparada para acompanhá-lo, Maurício subiu ao palco. Já nos primeiros versos, a plateia fez silêncio para ouvir o menino prodígio.

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Ao final do programa, Randal Juliano chamou todos os participantes ao palco para revelar o vencedor da jornada. E o primeiro lugar ficou com... o pequeno Maurício! Imediatamente após o anúncio, Adoniran Barbosa pôs o menino em seus ombros e saiu a dar voltas pelo auditório. Alvoroço. Delírio. Frenesi.

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A história fica muito mais interessante se acompanharmos o destino do protagonista. Maurício ganharia mais uma série de programas de calouros, até ser impedido de concorrer com os novatos. Desistiria, porém, da carreira de cantos quando estava prestes a se apresentar no picadeiro de um circo de Suzano, na Grande São Paulo. Disse a dona Petronilha que não iria mais cantar e ponto final. Alguns anos depois, para ajudar no orçamento de casa, começou a fazer ilustrações para jornais de Mogi das Cruzes, onde passara a morar com a família. De volta à capital paulista, por volta de 1954, foi aprovado em um teste para trabalhar como repórter policial da “Folha de S. Paulo”.

Mas a grande virada só viria cinco anos mais tarde, quando antigo calouro mirim criou uma série de tiras em quadrinhos sobre um cachorrinho e seu dono. Ofereceu seu trabalho à “Folha”, que aceitou publicar as tiras da dupla Bidu e Franjinha em suas páginas. Nesse momento, saía definitivamente de cena o jornalista e entrava o desenhista. Em seguida viriam Mônica, Cebolinha, Cascão, Magali, Chico Bento..."

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