Pular para o conteúdo principal

Lei "seca" o escambau!

Depois de um bom tempo ser ler o Dimenstein, eis que me deparo com um bom texto dele, sobre a chamada "lei seca", que de seca não tem nada. Aí vai:

A lei não é seca

Crescem ataques contra a lei que inibe o motorista de beber e dirigir – alguns deles, com razão. Pessoalmente, temo que o excesso de rigor inviabilize sua aplicação. Também tenho dúvidas sobre a legalidade de exigir que alguém se submeta ao bafômetro. Em essência, porém, sou dos que apóiam a dureza contra os irresponsáveis do trânsito. Por isso, fico muito incomodado com o apelido "lei seca" – é um apelido tendencioso, abençoado por nós, jornalistas.

Fico incomodado por dois motivos:

1) Não existe nenhuma proibição à bebida. Mas apenas a se dirigir depois de bebida. É muitíssimo diferente da vivida pelos Estados Unidos. Erro, portanto, conceitual. Não tem nada a ver com aquela maluquice dos americanos.

2) Como aquela lei era, nos EUA, uma maluquice, o apelido lei seca estimula as ações e a desobediência.

Não sou moralista. Gosto de beber e, reconheço, aprecio aquela sensação de leveza que provoca uma dose a mais. Mas não apoiar essa lei é uma irresponsabilidade. Há tempos precisávamos de algo mais duro contra a matança no trânsito – e os comunicadores fazem um julgamento quando sustentam o apelido de lei seca.

Pode parecer um detalhe, mas não é.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

I Was Born Ten Thousand Years Ago

E eis que de repente leio o seguinte parágrafo hoje no ônibus, na biografia de Paulo Coelho escrita por Fernando Morais: “Em dezembro de 1976 a Philips colocou nas ruas o quinto LP de Paulo com Raul, Há Dez Mil Anos Atrás [...]. A canção que dava nome ao álbum tinha duas peculiaridades: uma redundância no título e o fato de ser a tradução adaptada de I Was Born Ten Thousand Years Ago , conhecida canção tradicional americana de domínio público que tinha várias versões, a mais famosa delas gravada por Elvis Presley quatro anos antes”. Foram longos minutos até chegar ao trabalho e procurar no YouTube a versão original da música. E bateu uma certa sensação de ignorância por gostar de ambos (Elvis e Raul) e não saber que a longa letra é uma adaptação/tradução/homenagem. Sem mais delongas, seguem abaixo o vídeo e a letra original, com a ressalva de que há mais de uma versão para I Was Born Ten Thousand Years Ago : I WAS BORN ABOUT TEN THOUSAND YEARS AGO (Traditional - Adapted by Elvis Presl...

Wagner Moura, Legião Urbana e um bocado de inveja

O cara é politizado, ganha suspiros do mulherio por onde passa, protagonizou o filme de maior bilheteria da história do cinema nacional (cuja atuação gerou um debate importantíssimo sobre segurança pública no país), encarou interpretar “Hamlet” no teatro, é um dos símbolos da nova dramaturgia brasileira e, entre otras cositas más , alcançou um patamar que lhe permite escolher quais trabalhos quer colocar em prática e o que é descartável para sua carreira. Por conta de tais atributos, Wagner Moura se tornou um sujeito de admiração quase unânime no Brasil. Essa imagem só veio a ser arranhada recentemente, quando houve o anúncio de que ele encararia subir aos palcos como cantor para um tributo à Legião Urbana, ao lado dos parceiros de Renato Russo na banda. Fãs da Legião colocaram todos os pés atrás possíveis. Renato Russo, para os admiradores mais xiitas da banda, é quase um messias, alguém insubstituível. Sendo assim, Capitão Nascimento algum teria envergadura moral para assumir o ...

O dilema dos EUA: resgatar o passado ou construir um novo futuro?

RESENHA DE "ESTAS VERDADES", DE JILL LEPORE Barack Obama foi eleito presidente dos Estados Unidos, em 2008, utilizando-se de um slogan que ganhou fama mundial: “Change”. Nem durante a campanha eleitoral e tampouco no decorrer de seus dois mandatos foi possível entender com clareza qual seria essa mudança. Em 2016, Donald Trump conseguiu ser muito mais explícito ao prometer que tornaria a América grandiosa novamente. O empresário e apresentador de TV optou pelo resgate de valores do passado estadunidense para atingir em cheio ― e com sucesso ― o cidadão insatisfeito com o presente incerto deste início de século 21. Após oito anos de ações abstratas do governo Obama, seu sucessor não se furtou em propor uma série de políticas xenófobas, segregacionistas e protecionistas para chegar à Casa Branca.   Desde o primeiro dia de seu mandato, pairaram sobre Trump nuvens de ameaças à democracia dos Estados Unidos. Seu desastroso adeus ― marcado pela tentativa de autogolpe em 6 de janeir...