Quando olho para meus amigos mais próximos e vejo sua relação com o futebol, encaixo-os em dois grupos: (1) os que escolheram o time pela influência paterna e (2) os que optaram por A ou B naquela fase entre a infância e a adolescência, quando torcer por um clube que não ganha nada e nem tem ídolos resulta em bullying futebolístico. Como moro em São Paulo, lembro que os amigos santistas e palmeirenses aguentavam sarros constantes no começo dos anos 90, mas seguiam firmes em nome da relação com seus pais, torcedores e testemunhas de Pelé, Coutinho, Ademir da Guia e Luis Pereira. Nesse vácuo, muitas famílias viram surgir adolescentes são-paulinos e corintianos que correram o risco de deserção paterna. Neto comandava o Timão, enquanto Telê Santana iniciava sua era no Tricolor do Morumbi. Falar dos títulos que o São Paulo ganhou durante os cerca de cinco anos de Telê à frente do clube é chover no molhado. Mais importante é o legado deixado por ele: a importância de um jogo bonito, honesto ...