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Folha e a ditadura: um editorial vexaminoso

Quem acompanha mais de perto a história do jornalismo já deixou para trás há tempos aquela imagem de que os veículos de comunicação do país combateram a ditadura, sofreram com a censura e todos os etc dessa lenga-lenga. Quem não acompanha ainda mantém grande parte dessa ilusão, alimentada, em grande medida, pela própria mídia. Os jornais que estão aí até hoje foram apoiadores de primeira hora do golpe – os que não foram acabaram desaparecendo aos poucos ou relegados a espaços alternativos. Já não é de hoje que se sabe que órgãos da repressão como o DOPS chegaram a usar automóveis do Grupo Folha em determinadas ações. Só quando o regime militar já se mostrava enfraquecido, no começo dos anos 80, é que coube à Folha assumir, numa bela jogada de marketing, a fama de “o jornal das Diretas”. Dois parágrafos longos depois, me remeto novamente à bela pesquisa feita por Paulo César Araújo em seu “Eu não sou cachorro, não”, livro citado aqui neste blog na semana passada. Ao falar da pecha de v...